Em conversa com jornalistas em Genebra, na Suíça, Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, disse que as ações dos Estados Unidos na Venezuela fazem “todos os Estados menos seguros em todo o mundo”. A porta-voz disse que a posição do Alto Comissário para os Direitos Humanos, Volker Türk, é que a operação coordenada pelos Estados Unidos “viola o princípio fundamental da lei internacional (e) a Carta das Nações Unidas, que estabelece que Estados não podem ameaçar ou usar da força contra a integridade territorial ou independência política de qualquer Estado”.Ravina também rejeitou a justificativa estadunidense para a intervenção, apesar do que chamou de um histórico de violações dos direitos humanos “deplorável e de longa data” do governo venezuelano sob o comando de Maduro.Os Estados Unidos negaram estar em guerra ou ocupar a Venezuela ao justificar, na reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU) nesta segunda-feira (5), que a operação que resultou no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro no último sábado (3) teve caráter jurídico e não militar. Na retórica estadunidense, houve “aplicação da lei, facilitada pelas Forças Armadas”, premissa rejeitada pelo Alto Comissariado.“Responsabilidade por violações de direitos humanos não pode ser alcançado com uma intervenção militar unilateral que viola a lei internacional”, reiterou Ravina Shamdasani. “Longe de ser uma vitória dos direitos humanos, essa intervenção militar, o que contraria a soberania venezuelana e a Carta das Nações Unidas, danifica a arquitetura da segurança internacional”, complementou.Após a operação militar que capturou Nicolás Maduro, Donald Trump escalonou as ameaças à comunidade internacional, afirmando que quer anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugerindo uma ação militar contra o governo da Colômbia, de Gustavo Petro.Sobre a Groelândia, em entrevista à revista The Atlantic, Trump disse, no domingo (4), que Washington “precisa” da Groenlândia para a segurança nacional. Já sobre o país latino, o presidente dos EUA disse que uma ação militar contra o governo Petro “parece bom”.“A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA”, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, disse Trump a jornalistas.Em resposta, Gustavo Petro declarou, em publicação na rede social X, que, se necessário, poderá voltar a pegar em armas para defender o país. O mandatário ressaltou ainda que deu ordem à força pública colombiana para atirar contra o “invasor”. “Embora eu não tenha sido militar, conheço a guerra e a clandestinidade. Jurei não empunhar mais uma arma desde o Pacto de Paz de 1989, mas pela Pátria pegarei novamente em armas, ainda que não queira”, disse Petro, que participou do movimento de guerrilha M19 (Movimento 19 de Abril), nos anos 1980.Enquanto isso, em Nova York, Maduro enfrenta uma audiência de custódia no Tribunal Federal do Distrito Sul de Manhattan, sob as acusações de envolvimento com narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado. Maduro afirmou, na primeira sessão da audiência, ser inocente e um “prisioneiro de guerra”.
*Com informações da UN News
Fonte: Sul21