Em meio às serras do interior sul do Rio Grande do Sul, Canguçu abriga 16 comunidades quilombolas certificadas que mantêm vivos modos de vida construídos a partir da resistência negra. Entre a agricultura familiar, a preservação da ancestralidade e a luta pela terra, mulheres, jovens e lideranças enfrentam o racismo, a invisibilidade e a demora na titulação dos territórios.Localizada a cerca de 60 quilômetros de Pelotas, Canguçu tem cerca de 50 mil habitantes e forte predominância rural: entre 60% e 70% da população vive no campo. Reconhecido como Capital Nacional da Agricultura Familiar pela Lei 14.638, sancionada em 2023, o município concentra o maior número de minifúndios e pequenas propriedades rurais do Brasil.Marcada pela colonização alemã e pomerana, a cidade também guarda presença indígena e negra. Os primeiros habitantes da região foram os indígenas Tapes, e o nome do município tem origem indígena. Entre as interpretações registradas, uma associa o topônimo a Caa-Guassu, expressão ligada à ideia de “mata grande” ou “mato grosso”, em referência à vegetação que cobria a encosta da Serra dos Tapes.A história oficial de Canguçu começa por volta de 1800, na localidade hoje conhecida como Canguçu Velho. Hoje, além da agricultura familiar, a cidade reúne cerca de 500 famílias quilombolas nas comunidades certificadas. Em dez dos 16 quilombos reconhecidos, as lideranças são mulheres.