A casa no bairro da Urca, Zona Sul, onde foi filmado o longa “Ainda Estou Aqui”, ganhador do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, será transformada na Casa do Cinema Brasileiro. A Prefeitura do Rio vai desapropriar a casa que serviu de cenário para as filmagens de “Ainda Estou Aqui”, remontando e abrindo para visitação pública o cenário do andar térreo. As demais dependências vão abrigar a RioFilme, empresa pública voltada para investimentos no setor do audiovisual.Além de uma homenagem ao filme ganhador do Oscar, a iniciativa, oficializada nesta edição do Diário Oficial, tem o objetivo de preservar e estimular a cultura cinematográfica do país, com um memorial.A casa, uma construção de 1938, foi a locação principal de “Ainda Estou Aqui”, dirigido por Walter Salles, com Fernanda Torres atuando como protagonista e indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Pela mesma categoria, ela venceu o Globo de Ouro.O decreto que declara de utilidade pública o imóvel da Urca leva em conta a relevância da obra de Marcelo Rubens Paiva, autor do livro que deu origem ao filme. E ressalta o dever institucional do Estado de valorizar a memória dos brasileiros que resistiram e superaram o autoritarismo, contribuindo para a retomada da democracia. Outra consideração é o apelo turístico, já que o filme teve reconhecimento internacional.Nas redes sociais, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou a proposta.“Hoje sairá publicado em Diário Oficial Extra da Prefeitura do Rio que decidimos comprar e transformar o imóvel do filme “Ainda Estou Aqui” na Casa do Cinema Brasileiro. Vamos tornar público e abrir para visitação o espaço que trouxe o primeiro Oscar do Brasil em quase 100 anos da premiação.Faremos da casa onde foi gravado o filme um lugar de memória permanente da história de Eunice Paiva e sua família, da democracia e ainda uma homenagem às duas grandes mulheres que orgulham o Brasil e deram vida a ela – Fernanda Torres e Fernanda Montenegro.O público ainda poderá conhecer a história do Brasil no Oscar em exposições interativas. Ali também funcionará a nova sede da Rio Film Commission estimulando mais produções do cinema brasileiro e premiações internacionais. E pra não deixar dúvidas: a Casa do Cinema Brasileiro vai estar pronta para receber a nossa primeira estatueta. Quem sabe ela não vem morar aqui? Nós vamos sorrir”.De acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro, em janeiro deste ano, a RioFilme anunciou a liberação de R$ 131 milhões para o setor de audiovisual. A empresa, vinculada à Secretaria Municipal de Cultura, garantiu o investimento de R$ 100 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual, por meio de uma parceria com a Agência Nacional de Cinema (Ancine), para os editais previstos para 2025. Já o município liberou R$ 31 milhões para os projetos selecionados em 2024.