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2 de julho 2026

Cerca de 76% dos terreiros já sofreram racismo religioso, aponta pesquisa do MDHC

Cerca de 76% dos terreiros já sofreram racismo religioso, aponta pesquisa do MDHC A segunda edição da pesquisa ‘Respeite o Meu Terreiro’, lançada pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) na terça-feira (30), aponta que cerca de 76% dos terreiros já sofreram racismo religioso. A informação foi apresentada durante o seminário Racismo Religioso na Perspectiva da Violação de Direitos Humanos, realizado em Brasília. O estudo reúne dados sobre a violência contra povos e comunidades de terreiro, além de ampliar a compreensão do fenômeno ao abordar aspectos pouco contemplados em levantamentos oficiais, como impactos na saúde das vítimas, perfil dos agressores e ocorrências em ambientes digitais.Desenvolvida em parceria com a Rede Nacional de Religiões Afro-Brasileiras em Saúde (RENAFRO Saúde), o Terreiro Ilê Omolu Oxum e o Laboratório de Museologia Experimental da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (LAMEX/UniRio), a pesquisa entrevistou integrantes de 511 terreiros, majoritariamente de umbanda e candomblé.
Os resultadosCerca de 76% dos terreiros participantes já sofreram episódios de racismo religioso, enquanto 80% dos membros afirmaram ter sido vítimas diretas de agressões. O ambiente virtual também aparece como um dos principais espaços de violência: 52% dos entrevistados relataram ataques em plataformas como Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e X.Quanto às formas de reparação, 30% dos participantes apontaram a conscientização da sociedade como principal medida para enfrentar o problema e, em seguida, a adoção de ações judiciais, mencionada por 18%. Sobre o acolhimento após episódios de discriminação, 48% disseram encontrar apoio em casa e o mesmo percentual afirmou que se sente acolhido pela polícia especializada. Segundo Marco Teobaldo, um dos responsáveis pela pesquisa, os números podem indicar subnotificação, uma vez que muitas vítimas buscam apoio diretamente nos terreiros em vez de formalizar denúncias.A pesquisa também identificou que 50% dos entrevistados percebe mudanças após a criação do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.Durante o painel “O Brasil da violência dos fatos, dos dados e dos desafios”, representantes do MDHC e da RENAFRO Saúde discutiram os resultados da pesquisa e os desafios para o enfrentamento do racismo religioso. Participaram do debate a representante da Coordenação-Geral de Indicadores e Evidências da Secretaria-Executiva do MDHC, Natalia Louzada, e a coordenadora nacional da RENAFRO Saúde, Mãe Nilce de Iansã.
Aumento de denúnciasDados do Disque 100 apresentados durante o seminário apontam crescimento nas denúncias de racismo religioso no país. Entre 2023 e 2026, foram registrados 1.216 casos, com aumento anual das notificações, o que pode indicar tanto maior incidência quanto ampliação do acesso aos canais de denúncia.Segundo o coordenador-geral de Mediação e Conciliação de Conflitos da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, Rui Leandro Santos, o Disque 100 recebeu mais de 2,3 milhões de acessos em 2025, resultando em mais de 650 mil denúncias de violações de direitos humanos.São Paulo, Nova Iguaçu (RJ), Rio de Janeiro, Salvador e Belo Horizonte estão entre os municípios com maior número de registros. Juntos, os municípios concentram cerca de 23% das denúncias de racismo religioso no país. O serviço funciona 24 horas por dia e recebe denúncias por telefone, WhatsApp, Telegram e outros canais, encaminhando os casos aos órgãos competentes.O evento também marcou o lançamento de uma nova seção sobre liberdade religiosa na plataforma do Observatório Nacional dos Direitos Humanos (ObservaDH). A iniciativa busca ampliar a produção e a divulgação de dados e indicadores sobre o tema, oferecendo subsídios para pesquisadores, gestores públicos, organizações da sociedade civil e demais interessados.
Debate sobre políticas públicasPromovido pelo MDHC, o seminário teve como objetivo fortalecer o diálogo institucional e discutir políticas públicas voltadas ao enfrentamento da discriminação motivada pela fé, ancestralidade ou qualquer manifestação religiosa. A programação foi dividida em cinco painéis e reuniu representantes do poder público, universidades, movimentos sociais, organizações da sociedade civil, lideranças de religiões de matriz africana e integrantes dos conselhos nacionais de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR) e de Direitos Humanos (CNDH).Na abertura, a presidente do CNDH, Ivana Leal de Souza, defendeu uma abordagem mais ampla sobre as violações enfrentadas pelos povos de terreiro. Segundo ela, embora o conceito de “racismo religioso” tenha contribuído para dar visibilidade ao problema, as agressões atingem também os povos tradicionais e seus direitos coletivos, ultrapassando a dimensão exclusivamente religiosa. Também participaram da mesa de abertura representantes do MDHC, do Ministério da Igualdade Racial e do CNPIR.
Fonte: Sul 21 / Imagem: MDHC/YouTube/Reprodução

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