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27 de fevereiro 2025

Comerciantes da Cidade Baixa se mobilizam pelo direito de celebrar o Carnaval nas ruas de Porto Alegre

Comerciantes da Cidade Baixa se mobilizam pelo direito de celebrar o Carnaval nas ruas de Porto Alegre O já conhecido CarnaLopo, o Carnaval da Cidade Baixa, é uma festa de rua, que acontece no bairro desde 2022, por iniciativa dos comerciantes locais que se organizaram propondo uma alternativa para celebrar o Carnaval de maneira aberta e democrática. Mas neste ano, o evento vem enfrentando diversos entraves por parte do Poder Público.Segundo uma das sócias do Povoada Gastrobar, um dos estabelecimentos envolvidos na organização, Clauciane Santos, já no primeiro ano de realização do evento a Prefeitura de Porto Alegre divulgou o CarnaLopo como o Carnaval da Cidade Baixa. Contudo, a estrutura montada pelos pequenos comércios não recebeu nenhum apoio da gestão municipal e o evento que era previsto para umas 200 pessoas – por conta dessa divulgação teve quase 6 mil participantes, o que ocasionou diversos transtornos.No segundo ano, os bares decidiram por melhorar o evento: foi montada uma estrutura maior, com três atrações, mais banheiros, mais segurança e gradis para contenção do público. Mais bares da Cidade Baixa entraram como parceiros e o evento foi um sucesso.
Um destaque da edição foi a feira das afroempreendedoras. O público era formado por moradores do bairro e arredores, famílias com crianças e idosos. A festa encerrou às 22h30, pois o alvará da casa permite som até as 23h. Nesta edição, novamente o CarnaLopo entrou como ‘Carnaval da Cidade Baixa’ no calendário da Prefeitura de Porto Alegre.
Nesta, que seria a terceira edição do evento, a organização tem encontrado várias dificuldades para a realização e informações desencontradas vêm dos diversos setores da gestão pública.
Demora nas respostasClauciane afirma que o pedido de liberação do alvará para realização de eventos foi solicitado há 90 dias e até agora, véspera da festa, não houve nenhuma resposta por parte da secretaria. Ela desconfia que uma resposta não virá até a data do evento. Segundo afirmou ao Brasil de Fato RS, acredita ser uma estratégia para impossibilitar qualquer pedido de recurso ou adequação após uma negativa.
Ela destaca que a estrutura do CarnaLopo não depende de recursos públicos. “Os quase R$ 12 mil de custo operacional são rateados entre os próprios empreendedores locais.”
Clauciane diz que o grupo acredita que a Cidade Baixa é um bairro que merece ser mais bem-visto aos olhos da prefeitura, com o direito a ter uma vida noturna como qualquer outro bairro da cidade. A CB, como é conhecido, sofreu sérios impactos com as enchentes de 2024 e que “essa seria uma oportunidade de trazer público de outros bairros para o local”.

“A gente foi diretamente afetado [pela enchente], porque a gente ficou quase dois meses com o bar fechado. Não entrou água no nosso estabelecimento, mas a gente perdeu o nosso estoque por causa da luz. Ficamos dois meses fechados, sem poder trabalhar. As meninas que são as afroempreendedoras, a maioria mora na zona Norte, nos bairros Sarandi, Rubem Berta, Humaitá. Elas foram afetadas diretamente, inclusive, elas estão fazendo produção para esse evento desde setembro, sabe? É uma grana muito boa que entra para elas. Por quê? Porque é um grande número de pessoas que estão vendo o trabalho delas.”
O que diz a PrefeituraProcurada pela redação do Brasil de Fato RS, o escritório de eventos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo (SMDET) relatou que, neste ano, o Carnaval de Rua da Cidade seria viabilizado via edital da Fumproarte. No entanto, o edital, que visa a realização dos desfiles de blocos de rua, porém em outra data, fora da semana do Carnaval, teve seis inscritos e apenas três habilitados. Ele se adequava a blocos de rua e desfiles, mas não houve nada que fizesse menção ao apoio de bares, pontos de cultura e estabelecimentos comerciais da região.
FavorecimentoEssa semana, o site Matinal divulgou que a Secretaria de Cultura de Porto Alegre deixou de executar R$ 2,8 milhões em recursos oriundos de emendas parlamentares e que pouco se fez pela retomada das atividades culturais dessa região da cidade. O bairro onde cresceu Lupicínio Rodrigues hoje luta contra a especulação imobiliária e para manter sua principal atividade, com pouco ou nenhum incentivo da gestão atual.O mesmo não parece ocorrer em outros bairros da cidade. No 4⁠º distrito, bares já fazem a divulgação das atividades de Carnaval, como também já garantiu o alvará para sua realização. Um deles é o Larica, estabelecimento de propriedade de Eduardo Baldasso, que até poucos dias atrás ocupava o cargo de diretor financeiro da Secretaria de Desenvolvimento e Economia Criativa da Porto Alegre.A assessoria de imprensa do escritório de eventos da Prefeitura também foi questionada pela nossa redação quanto aos critérios de liberação do alvará. Num primeiro momento alegaram que a ocorrência de diversas obras no Centro Histórico inviabilizaria a realização dos eventos. Em seguida, passou a responsabilidade aos órgão de segurança.“A segurança e o bem-estar dos cidadãos sempre foi e sempre será prioridade. A decisão de, provisoriamente, interromper a realização de eventos de rua no bairro Cidade Baixa foi tomada pelos órgãos responsáveis pela segurança do espaço. Devido à alta demanda de eventos e à concentração de pessoas no local, seria necessário reforço no efetivo, questão que está sendo analisada e estudada uma solução.”Cabe relatar que o mesmo batalhão da BM é responsável pelo patrulhamento de ambos os locais. Contatadas pela redação a BM diz não saber do que se trata a decisão.

Imagem: Canva Fonte: Brasil de Fato

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