Carlos Eduardo Nunes, morador de Guaíba de 44 anos, estava correndo, em surto, pela rua após ter roubado um celular quando foi abordado por quatro brigadianos, sendo que dois estavam à paisana. Nunes, com comportamento agressivo, foi imobilizado com um “mata-leão”. As imagens da câmera de segurança do local, usadas para analisar o caso, mostram o agente que aplicou o golpe prendendo o pescoço de Carlos por mais de um minuto.Ele fica no chão desacordado, é contido e arrastado até a viatura da Brigada Militar. Os policiais já tinham tentado, sem sucesso, imobilizá-lo com um disparo de arma de choque e o próximo recurso utilizado foi o “mata-leão”. Em São Paulo, o golpe chegou a ser proibido em 2020 pelos riscos que apresenta à integridade física da vítima.Nunes estava em surto por conta de uma condição médica. À GZH, familiares do homem relataram que ele teria traços de esquizofrenia. Ele foi colocado em coma induzido depois da ocorrência.Nesta segunda-feira (1º), Nunes faleceu devido às complicações de suas funções neurológicas causadas pela parada cardiorrespiratória, que se deu pela asfixia, depois de dois meses irresponsivo no hospital. O inquérito da Polícia Civil, porém, não apontou relação entre a imobilização policial e a parada cardiorrespiratória, assim como a Corregedoria da Brigada Militar ao analisar o caso.Agora, o Ministério Público irá avaliar o inquérito da Polícia Civil, enquanto, no campo militar, está nas mãos do Tribunal de Justiça Militar do Estado. De acordo com o G1, a família quer que as investigações sejam reabertas e já teria providenciado um advogado para cuidar do assunto. Também ao G1, a delegada responsável pela investigação, Karoline Calegari, afirmou que os policiais envolvidos “agiram em estrito cumprimento do dever legal”.A morte de Carlos Eduardo Nunes é um dos 123 casos coletados entre janeiro de 2024 e agosto de 2025 em um levantamento exclusivo do Sul21 que mapeou o cenário da violência policial contra indivíduos em uma crise de saúde mental no Brasil.