As decisões recentes do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), abriram um novo capítulo na disputa institucional sobre o controle das emendas parlamentares. Em poucos dias, o ministro determinou o bloqueio de bens do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, ambos investigados pela Polícia Federal por supostamente influenciar a destinação de recursos públicos mesmo sem exercer mandato parlamentar. Embora os dois casos tratem de valores bastante distintos — cerca de R$ 6,15 milhões atribuídos a emendas ligadas a Eduardo Cunha e R$ 119,2 milhões relacionados a Valdemar Costa Neto —, as investigações apontam um mecanismo semelhante: pessoas sem legitimidade constitucional para indicar emendas teriam, segundo a PF, comandado sua destinação por meio de um “arranjo decisório paralelo” instalado na Câmara dos Deputados.As apurações são desdobramento da Operação Transparência, deflagrada pela Polícia Federal no fim de 2025 para investigar possíveis fraudes na distribuição de emendas parlamentares e o descumprimento das regras de transparência estabelecidas pelo STF após o fim do chamado Orçamento Secreto.Segundo a Polícia Federal, servidores da Câmara seriam utilizados para operacionalizar indicações atribuídas informalmente aos investigados, enquanto deputados em exercício apareciam oficialmente como autores das emendas.