Um grupo de cerca de 3 mil entidades empresariais de todas as regiões do Brasil, divulgou nesta terça-feira (9) uma carta em que manifestam apoio à aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 12/2026, apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) em contraponto à PEC 221/19, que acaba com a escala de trabalho 6×1 e foi aprovada pela Câmara dos Deputados em maio. Assinam o manifesto entidades como CNI, CNA, CNC, CNT e FIERGS.A proposta, batizada de PEC do Trabalho Flexível pelos seus defensores e de PEC 7×0 por críticos, tem como principal ponto a permissão para uma jornada flexível baseada em horas trabalhadas. Pelo texto da PEC, o trabalhador poderia negociar com o patrão uma jornada específica, sem limitações, com 13º salário, férias, terço constitucional, FGTS, INSS e aviso prévio sendo pagos de forma proporcional às horas trabalhadas.Segundo as entidades, a proposta permitiria que trabalhadores adequassem realidades diferentes às jornadas de trabalho. “Esse modelo atende a diferentes realidades, permitindo que jovens conciliem o emprego com os estudos, mães adaptem os horários aos cuidados com os filhos e chefes de família aumentem a renda trabalhando mais em períodos de alta sazonalidade, conforme a realidade de cada setor”, defendem as entidades.Por outro lado, centrais sindicais argumentam que a proposta abre as portas para que trabalhadores recebam menos do que um salário mínimo e/ou que as jornadas sejam definidas diretamente por acordo individual entre empregado e empregador, sem levar em conta negociações coletivas.“São medidas que permitem que os trabalhadores recebam abaixo do salário mínimo, conforme a proporção da jornada que for pactuada, e isso aprofundará as desigualdades sociais no país”, diz Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e vice-presidenta da CUT Brasil. “Por isso que essa PEC 12/2026 está sendo apelidada de PEC da Escravidão, porque além de rebaixar o rendimento das famílias, significará um retrocesso em direitos conquistados em anos de luta da classe trabalhadora. Se o Brasil realmente tiver um Senado sério e comprometido com o povo, essa PEC será derrubada já na CCJ”, completa.O manifesto dos sindicatos patronais, assinado sob o nome do Movimento Pró-Brasil (MPB), também diz que “se posiciona contra projetos que buscam impor uma escala única e rígida para todo o mercado, sem considerar as necessidades e especificidades das mais de 2,7 mil ocupações existentes hoje no país, desconsiderando também os custos e impactos para as empresas, para o poder público e para a sociedade”.A PEC que acaba com a escala 6×1 está agora em tramitação no Senado.