Às 15h desta terça-feira (24), o site da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), órgão responsável pelo monitoramento da qualidade do ar no Rio Grande do Sul, classificava como “bom” o ar em Guaíba, Canoas, Esteio e Gravataí, e como “moderado” o ar em Triunfo. A falta de estações capazes de monitorar a qualidade do ar em outras cidades do RS e em Porto Alegre, assim como em outros estados brasileiros, tem levado alguns veículos de imprensa a noticiarem os dados divulgados pela IQAir, uma empresa suíça que oferece produtos e serviços voltados ao monitoramento da qualidade do ar. Porém, ao invés de colaborar para suprir deficiências de monitoramento do ar nas cidades do Brasil, os dados da IQAir têm trazido confusão. O RS tem apenas cinco estações de monitoramento da qualidade do ar em todo o estado, sendo todas as estações localizadas na região metropolitana, o que deixa sem informação a população que vive no interior. E apenas uma estação, a de Triunfo, mede o material particulado MP2,5, um dos principais poluentes relacionados ao fogo das queimadas.Na estação de Triunfo, ainda segundo a Fepam, o Índice da Qualidade do Ar (IQAr) estava classificado em 61 – entre 41 e 80, a qualidade do ar é considerada “moderada”. Entre 81 e 120 IQAr, o ar já é tido como “ruim” e insalubre do ponto de vista da saúde. Os dados, entretanto, são referentes ao dia anterior, segunda-feira (23). Também nesta terça, às 8h, o MonitorAr, projeto desenvolvido pelo Ministério do Meio Ambiente, mostrava Triunfo com IQAr em 48, um dado divergente daquele noticiado pela Fepam embora seja da mesma estação de monitoramento.Já segundo a empresa suíça, o ar na capital gaúcha nesta terça-feira (24) está “ruim” para grupos sensíveis, como crianças e idosos, com o IQAr em 104. O detalhe é que os parâmetros utilizados pela empresa europeia são diferentes daqueles orientados no Brasil pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). No Brasil, o IQAr em 104 alcançaria a classificação de “ruim”. Há poucos dias, a empresa chegou a colocar São Paulo como a capital mais poluída do mundo, informação que levou o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) a se manifestar questionando os métodos divulgados.“De acordo com informações constantes do site da IQAir, a empresa disponibiliza diariamente um mapa global da qualidade do ar, utilizando dados fornecidos por uma ampla rede de colaboradores ao redor do mundo. Ainda de acordo com a empresa, os dados para o mapeamento incluem informações de sistemas de previsão numérica e monitoramento direto de poluentes. No entanto, não temos conhecimento dos métodos específicos aplicados para o controle de qualidade e para integração e compatibilização dessas bases de dados”, explicou, em nota, o Inpe.O instituto brasileiro realiza o monitoramento e a previsão da qualidade do ar no Brasil por meio de um sistema de modelagem numérica da composição química da atmosfera. As emissões de poluentes feitas pelo Inpe são estimadas com base em informações de incêndios de vegetação, detectados via sensoriamento remoto, além de dados sobre emissões urbanas e fontes fixas, como a frota veicular e a malha viária. “Esse modelo é executado diariamente, fornecendo informações atualizadas e previsões para os três dias subsequentes”, diz o instituto. Os resultados estão disponíveis no site do Inpe e o sistema é detalhado em publicações científicas revisadas por pares. “Nesse sentido, esclarecemos que o Inpe não participa da rede de colaboradores da IQAir e que não tem como avaliar ou referendar os índices e rankings de qualidade do ar divulgados pela referida empresa”, completa o órgão.