Dados divulgados pelo MapBiomas mostram que a Amazônia registrou a menor área queimada desde o início da série histórica, em 1985, revertendo o cenário de devastação observado em 2024, quando a seca extrema impulsionou incêndios em larga escala. Segundo o levantamento, a Amazônia teve 3,1 milhões de hectares queimados em 2025, uma redução expressiva em relação aos 15,8 milhões de hectares registrados no ano anterior. Em todo o país, a área atingida pelo fogo caiu para 12,7 milhões de hectares, o menor patamar desde 2018 e 31% abaixo da média histórica das últimas quatro décadas.O resultado é considerado relevante porque a Amazônia desempenha papel central na regulação do clima global. A floresta funciona como importante sumidouro de carbono, absorvendo gases de efeito estufa e ajudando a conter o aquecimento do planeta. A redução das queimadas também diminui a emissão de poluentes e contribui para preservar a biodiversidade e os territórios de povos indígenas e comunidades tradicionais.De acordo com a coordenadora do MapBiomas Fogo e pesquisadora do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Ane Alencar, a redução ocorreu por uma combinação de fatores climáticos e ambientais. O atraso do período chuvoso entre 2024 e 2025 impediu a formação das condições normalmente favoráveis à propagação do fogo em diversas regiões.Outro fator apontado pelos pesquisadores foi a queda do desmatamento, que reduziu as fontes de ignição na floresta. Grande parte das queimadas na Amazônia ocorre após a derrubada da vegetação para abertura de áreas destinadas à agropecuária ou ao garimpo ilegal. Com menos áreas desmatadas, também diminuiu o uso do fogo para limpeza dos terrenos.