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11 de junho 2026

Lula anuncia queda no desmatamento e alfineta Trump

Lula anuncia queda no desmatamento e alfineta Trump O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (11) uma redução expressiva nos índices de desmatamento da Amazônia e do Cerrado e aproveitou a divulgação dos números para rebater as justificativas apresentadas pelo governo dos Estados Unidos para impor novas tarifas a produtos brasileiros. Os dados foram apresentados pelo Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), e apontam uma queda histórica de 61,4% nos alertas de desmatamento da Amazônia em maio deste ano na comparação com o mesmo mês de 2025. A área sob alerta passou para 370 quilômetros quadrados, o menor patamar já registrado para o período na série histórica do sistema.No Cerrado, os alertas também recuaram. Em maio, a redução foi de 12,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, totalizando 777 quilômetros quadrados.A divulgação ocorreu em meio ao embate comercial entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) incluiu o desmatamento entre os argumentos utilizados para justificar a aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O documento, porém, ignonorou a queda do desmatamento sob Lula, destacando recordes ambientais negativos do governo Bolsonaro.Durante cerimônia realizada no Observatório Regional Amazônico, em Brasília, Lula afirmou que os números desmontam a narrativa utilizada pelos norte-americanos.“Vamos ter que pegar esses dados, mandar para o cidadão do comércio dos Estados Unidos que coloca a questão do desmatamento como justificativa para punir o Brasil com uma taxação maior e vamos comparar o que acontece no Brasil com o que acontece nos Estados Unidos”, declarou o presidente.Sem citar diretamente o presidente norte-americano Donald Trump em parte do discurso, Lula elevou o tom ao afirmar que o Brasil responderá às acusações com dados concretos.“A minha guerra é provar que nós estamos certos e vocês estão errados. É provar que você não foi eleito para ser imperador do mundo, que você pode dizer tudo que você quer e as pessoas ficarem quietas”, afirmou.Em outro momento, Lula acusou os Estados Unidos de utilizarem informações desatualizadas para embasar a política tarifária.“Eles mentiram a primeira vez que taxaram o Brasil em 50% e agora com esse negócio que eles falaram da questão do desmatamento. Eles não sabem o trabalho que nós fazemos para fazer com que o desmatamento chegue a zero até 2030”, disse.
Queda histórica na AmazôniaSegundo o Inpe, a redução de 61,4% registrada em maio representa a maior queda mensal já observada pelo Deter desde o início da série histórica.A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, classificou o resultado como uma conquista inédita. “É uma redução histórica dos alertas de desmatamento para o bioma Amazônia”, afirmou.Os números também mostram avanço no acumulado mais recente. Entre agosto de 2025 e maio de 2026, o desmatamento na Amazônia somou 2.189 quilômetros quadrados, uma redução de 37,5% em comparação ao mesmo período anterior.De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, trata-se do menor valor da série histórica para esse intervalo.O secretário-executivo da pasta, João Paulo Capobianco, destacou que o resultado ganha ainda mais relevância por ter sido registrado em um período do ano tradicionalmente marcado pelo aumento da devastação.“É algo realmente histórico em um mês em que sempre, historicamente, o desmatamento aumentava”, afirmou.
Cerrado também apresenta reduçãoO Cerrado, segundo maior bioma do país e fundamental para a produção agrícola brasileira, também apresentou melhora nos indicadores.Além da queda de 12,2% registrada em maio, os dados mostram redução de 8,2% no acumulado dos últimos dez meses em comparação com o período entre agosto de 2024 e maio de 2025. Em outro recorte apresentado pelo governo, a retração chega a 25,3%.O sistema Deter monitora diariamente áreas sob pressão de desmatamento e gera alertas utilizados pelos órgãos de fiscalização ambiental. Embora não represente a taxa oficial anual de desmatamento — calculada posteriormente pelo sistema Prodes —, os dados são considerados um importante indicador da tendência de devastação nos biomas brasileiros.
Governo vê resposta às acusações dos EUAPara o Ministério do Meio Ambiente, os resultados apresentados desmontam o argumento utilizado pelo governo norte-americano para justificar as barreiras comerciais.Capobianco afirmou que os números são públicos e podem ser verificados por qualquer instituição internacional.“Põe por terra, definitivamente, a acusação injusta e improcedente dos Estados Unidos, que incluíram o desmatamento da Amazônia como uma causa para justificar medidas de imposição de tarifas. Os números são claros, transparentes e auditáveis”, declarou.Segundo o ministro, os dados serão encaminhados ao Itamaraty e incorporados às negociações com Washington.A estratégia do governo brasileiro é demonstrar que os indicadores ambientais vêm apresentando melhora consistente desde o início do terceiro mandato de Lula. Dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) já haviam mostrado anteriormente uma redução de quase 70% do desmatamento na Amazônia entre 2022 e 2025.Ao comentar os resultados desta quinta-feira, Lula reiterou que a meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030 é uma decisão soberana do país e não consequência de pressões externas.“O desmatamento pode ajudar uma pessoa a ficar rica, até duas, mas o não desmatamento ajuda o Brasil, a Amazônia e o mundo”, afirmou.
Fonte: TVT News / Imagem: Ricardo Stuckert