O ex-governador Olívio Dutra palestrou sobre o Movimento da Legalidade na noite desta terça-feira (26), na sessão solene da Câmara Municipal de Porto Alegre proposta pelo vereador Pedro Ruas (PSOL) para marcar os 64 anos do movimento político liderado por Leonel Brizola em 1961 em favor da posse de João Goulart.“A Legalidade foi um movimento importantíssimo numa quadra da histórica brasileira/gaúcha. Foi o combate político liderado por Brizola para impedir uma tentativa de golpear a nossa incipiente democracia em 1961. É bom rememorar esse feito, inclusive pra sabermos identificar e nos prevenirmos contra as tentativas que continuam aí, no presente. Mas que não passarão”, afirmou Olívio.O missioneiro destacou a luta de Leonel Brizola para exigir o cumprimento da Constituição Federal, com a posse de João Goulart na Presidência da República. Além de destacar a Cadeia da Legalidade – que envolveu a sociedade gaúcha, através das ondas de rádio e que levaram as notícias do movimento para outros estados e países, culminando com a posse de João Goulart –, Olívio lamentou que o golpe de 1964 cerceou a liberdade, acabou com carreiras profissionais e políticas.Proponente da homenagem, Pedro Ruas destacou a importância da sessão solene em um momento de crise entre Brasil e os Estados Unidos. “Para mim é uma honra homenagear o movimento da Legalidade que foi liderado pelo Leonel Brizola, líder que garantiu, através de um embate forte, o cumprimento da Constituição e a manutenção da democracia no País. Num momento de crise, como esse em que as relações entre o Brasil e Estados Unidos estão no foco das atenções, mais uma vez vemos que o pensamento de Brizola a respeito dos Estados Unidos sempre esteve correto”, disse.Ruas pontuou que o convite feito a Olívio para palestrar na sessão foi motivado pelo fato do ex-governador ter representado, ao longo de sua trajetória, o espírito dos setores e das lutas populares reunidas na Legalidade. “A Legalidade foi o grande movimento cívico do nosso país. O maior. A importância de Olívio Dutra estar aqui é gigantesca, porque ele representa todo o setor popular que se organiza para lutar contra as elites também”, disse o vereador.Em sua fala, Olívio mesclou sua trajetória com os acontecimentos de cada época, indicando a forma pela qual ingressou na luta popular. Ele relembrou que a Legalidade ocorreu apenas um ano depois que ele e seu irmão mais velho deixaram o quartel. O irmão serviu no Rio de Janeiro e ele, no Rio Grande do Sul. O ex-governador contou que, quando houve a Legalidade, sua mãe temeu pelo pior. “Ela pensou que meu irmão poderia ser convocado a atacar o Palácio Piratini e que eu fosse convocado a defender o local.”O sentimento da mãe, acrescentou, felizmente não se concretizou e a família ficou do lado de Brizola. Sobre a Legalidade, Olívio disse que a “peleia” liderada por Brizola tinha mesmo que acontecer. “O Rio Grande sempre teve essa coisa de energia, de reafirmação de uma cultura de não se rebaixar, não se humilhar.”