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27 de outubro 2026

PF irá investigar campanha de Flávio Bolsonaro para apurar interferência estrangeira

PF irá investigar campanha de Flávio Bolsonaro para apurar interferência estrangeira O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou na manhã desta terça-feira (27) que a Polícia Federal abra inquérito para apurar suspeitas de financiamento estrangeiro na campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e uma possível interferência internacional nas eleições brasileiras. Conforme publicado pelo ICL Notícias, a investigação também deverá esclarecer a potencial relação entre interesses estrangeiros na exploração de terras raras no Brasil e o apoio político a Flávio, assim como apurar os indícios de que os algoritmos das redes sociais foram usados para prejudicar Lula (PT) e beneficiar o candidato bolsonarista.Entretanto, o principal foco são as terras raras. O tema é a organização estadunidense Rockbridge Network, que tem participação do vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e dos empresários brasileiros Tallis Gomes e Pedro Sang, conhecido como “Pedro da Rockbridge”. Gomes, inclusive, estava na festa de Flávio para acompanhar a apuração do segundo turno no domingo (25).A decisão de Dino cita potenciais aportes financeiros para a campanha de Flávio vindos da Rockbridge, com intermédio de Tallis e Sang. A Polícia Federal deverá investigar se a empresa estrangeira esteve envolvida em oferecer recursos financeiros, serviços ou outras vantagens econômicas para a campanha de Flávio em troca de uma articulação relacionada aos interesses estadunidenses em explorar minerais estratégicos, em abundância no Brasil.Lembrando que, em maio deste ano, no Conservative Political Action Conference (CPAC), o principal evento da direita radical estadunidense, Flávio Bolsonaro discursou defendendo a exploração dos minerais brasileiros pelos Estados Unidos. “O Brasil vai ser o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será disputado, porque o Brasil é a solução da America para a dependência da China de minerais críticos, especialmente para elementos de terras raras”, afirmou o ex-senador no palco do evento.Dino cita, em sua decisão, a necessidade de “elementos concretos que relacionem as tratativas sobre financiamento político aos interesses econômicos noticiados em terras raras e minerais críticos brasileiros”. As denúncias sobre a Rockbridge foram enviadas, inicialmente, à Justiça Eleitoral por uma representação apresentada pelo candidato à Presidência Renan Santos (Missão). Depois, o PT levou ao STF informações sobre as possíveis operações de financiamento estrangeiro.Sobre os algoritmos, a investigação envolve posts pró-Flávio publicados por contas estrangeiras, pagas para impulsionar o conteúdo. A PF deverá apurar quem pagou por esse conteúdo e se houve participação de brasileiros na negociação.Dino determinou a apuração de “assimetrias dolosas e manipulações algorítmicas” que favoreceram ou prejudicaram as campanhas à escolha de quem controla a plataforma, como é o caso da Meta e seu CEO Mark Zuckerberg e do X (antigo Twitter) e seu dono Elon Musk. Ambos estiveram presentes na posse de Donald Trump em janeiro de 2025 e se alinharam politicamente ao presidente estadunidense neste mandato.Entre os indícios citados pelo ministro estão as restrições ao impulsionamento de publicações de Lula no Instagram, recomendações indevidas de conteúdos associados a Flávio Bolsonaro, uso de Inteligência Artificial para manipulação — mencionando o pagamento de R$ 600 mil da campanha de Flávio para a empresa que vende um sistema de manipulação eleitoral, a Elytron —, entre outras suspeitas.A investigação será acompanhada pelo STF, a pedido de Dino. Para o ministro, as informações apontam para “intensificação dos indícios de ingerência estrangeira no processo eleitoral”.“Não se admite a interferência, direta ou indireta, de Estado estrangeiro sobre assuntos submetidos à soberania da República Federativa do Brasil, tampouco a produção, em território nacional, de efeitos decorrentes de atos unilaterais estrangeiros à margem dos mecanismos constitucionalmente previstos”, escreveu Dino em sua decisão.
Fonte: Sul 21 / Imagem: Carlos Moura/Agência Senado