A violência contra a mulher passou a ocupar o topo das preocupações da população brasileira quando o assunto é criminalidade. Pesquisa inédita do Instituto Datafolha, encomendada pelo Movimento Mulher 360 e divulgada nesta segunda-feira (1º), mostra que 61% dos brasileiros consideram a violência de gênero o crime mais grave do país, superando com ampla margem problemas tradicionalmente associados à segurança pública, como o tráfico de drogas (16%) e os assaltos à mão armada (10%). Apesar desse reconhecimento crescente da gravidade do problema, o levantamento revela uma contradição preocupante: comportamentos que configuram violência psicológica, moral e patrimonial continuam sendo relativizados por grande parte da sociedade. Em muitos casos, práticas de controle e dominação exercidas por companheiros ainda são vistas como atitudes normais dentro de relacionamentos amorosos.Os dados expõem a permanência de padrões machistas profundamente enraizados na cultura brasileira, mesmo após quase duas décadas da vigência da Lei Maria da Penha.Segundo a pesquisa, 45% dos entrevistados afirmam que impedir uma mulher de sair de casa para participar de uma comemoração não é necessariamente uma forma de violência. Da mesma forma, 42% não consideram agressão o fato de um marido controlar o salário da esposa, enquanto 41% relativizam o controle das amizades da companheira.Embora a legislação brasileira reconheça essas práticas como formas de violência psicológica e patrimonial, elas ainda não são percebidas dessa maneira por uma parcela significativa da população.