Em um momento em que o país soma 13,5 milhões de desempregados, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fome e a insegurança alimentar grave voltam à realidade de parte das famílias brasileiras. Segundo estudo da Universidade Livre de Berlim, a insegurança alimentar alcançou 15% dos domicílios brasileiros em dezembro de 2020. Esse percentual chegava a 20,6% nos lares com crianças e jovens de 5 a 17 anos.Conforme a pesquisa “Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil”, também feito há um ano, com uma amostra de 2.180 domicílios em cinco regiões do Brasil, 55,2% dos entrevistados se encontravam em Insegurança Alimentar e 9% conviviam com a fome. Os resultados deste inquérito mostram que, em 2020, a Insegurança Alimentar e a fome no Brasil retornaram a patamares próximos aos de 2004.No Rio Grande do Sul, em janeiro de 2021, 947.112 mil pessoas viviam com até R$ 89 por mês, conforme dados do Cadastro Único (CadÚnico), representando 8% da população vivendo em condição de extrema pobreza. Quando considerada a linha da pobreza, de ganhos mensais de até R$ 178, o número de pessoas chegava a 1.291.678, o que representa 11% da população gaúcha.“Nesse sentido, considerando o aumento significativo de pessoas, incluindo crianças, expostas à insegurança alimentar e nutricional, é esperado um aumento na prevalência de crianças afetadas pelas consequências a ela relacionadas, como desnutrição e doenças carenciais”, afirma Sílvia Pauli, Coordenadora da Unidade de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação de Porto Alegre (SMED/PMPA). Parte dessas crianças tem na escola o único espaço para garantir a alimentação diária. Com base nesse dado, o Sul21 entrevistou pessoas da comunidade escolar para saber qual a realidade acompanhada por elas nas periferias de Porto Alegre.