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17 de outubro 2026

Trabalho infantil cai em 2025 e atinge menor nível da série histórica

Trabalho infantil cai em 2025 e atinge menor nível da série histórica O número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil no Brasil caiu 9,2% em 2025 na comparação com o ano anterior, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (16). O total baixou de 1,65 milhão, em 2024, para 1,49 milhão, o menor patamar da série histórica, iniciada em 2016.  O trabalho infantil compreende atividades econômicas ou de produção para o próprio consumo que desrespeitam as regras de proteção à infância e à adolescência.Apesar da redução, o levantamento mostra que 4% da população brasileira de 5 a 17 anos ainda estava nessa condição. Em 2016, primeiro ano da série, eram cerca de 2,1 milhões de crianças e adolescentes, o equivalente a 5,2% dessa faixa etária. Em nove anos, a queda acumulada chegou a 28,6%.A redução registrada em 2025 representa o menor índice desde o início da série histórica, mas o país ainda enfrenta o desafio de eliminar o trabalho infantil. A erradicação está entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, com meta global para 2025.
Bolsa Família teve importância na quedaA redução foi registrada em um contexto de mercado de trabalho aquecido e aumento da renda das famílias. Segundo o pesquisador do IBGE Gustavo Fontes, diferentes fatores podem ter contribuído para o resultado, entre eles políticas públicas de transferência de renda, fiscalização e melhores condições econômicas.O Bolsa Família teve participação expressiva na queda: entre 2024 e 2025, o número de crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil em famílias beneficiárias caiu de 717 mil para 573 mil. Foram 144 mil casos a menos, correspondentes a mais de 95% da redução total registrada no país.
Mais de 500 mil ainda exercem atividades de riscoEmbora o total tenha recuado, 525 mil crianças e adolescentes ainda exerciam, em 2025, as chamadas piores formas de trabalho infantil. A classificação inclui situações de trabalho consideradas perigosas ou prejudiciais à saúde e ao desenvolvimento, como determinados trabalhos na construção civil, em matadouros, na coleta de lixo e no comércio ambulante em locais de risco.O número representa uma redução de 6,3% em relação a 2024, quando 560 mil crianças e adolescentes estavam nessas condições.
Maior parte são adolescentes mais velhosA pesquisa também aponta que a incidência do trabalho infantil aumenta com a idade. Entre crianças de 5 a 13 anos, 280 mil estavam nessa situação em 2025, o equivalente a 1,1% da faixa etária. Entre adolescentes de 14 e 15 anos, eram 348 mil, ou 5,9%. Já no grupo de 16 e 17 anos, o total chegava a 871 mil, correspondendo a 14,5%.A maioria das pessoas nessa condição era do sexo masculino, que representava 65,4% dos casos. Pessoas pretas ou pardas também eram maioria, somando 67% do total.O levantamento aponta ainda impactos na educação: a frequência escolar entre crianças e adolescentes em situação de trabalho infantil era de 86,9%, abaixo da média nacional de 97,5% para a faixa etária. Além disso, 21,4% trabalhavam 40 horas ou mais por semana, jornada que pode comprometer o tempo dedicado aos estudos, ao descanso e ao lazer.
Fonte: TVT News / Imagem: Ministério do Trabalho