2025 foi um ano em que a extrema-direita avançou no mundo; a crise climática afetou severamente todos os continentes; o Brasil precisou defender sua soberania perante as agressões de Trump e o Congresso Nacional, inimigo do povo, atacou os direitos dos brasileiros e brasileiras. Para lidar com tais retrocessos, a organização efetiva da classe trabalhadora foi e é urgente. Neste sentido, os sindicatos tiveram papel fundamental em barrar ataques e retomar as ruas. O ano foi marcado por grandes manifestações em que o SINASEFE esteve presente, como a 2ª Marcha Nacional das Mulheres Negras, os atos do movimento Sem Anistia para Golpistas e contra a Reforma Administrativa (PEC 38/2025), além de ter contribuído na construção do Plebiscito Popular por um Brasil mais Justo (isenção de Imposto de Renda para a classe média com os supericos pagando a conta) e pelo fim da Escala 6×1. Porém, ainda há muitos desafios pela frente.Outro elemento central para compreender a realidade é o ódio às mulheres. O crescimento dos ataques misóginos e do número de feminicídios não pode ser desprezado como definidores da conjuntura. Os movimentos de mulheres têm se mobilizado para que as leis de proteção sejam cumpridas, mas também para avançar na conquista de direitos, combater a violência de gênero, lutar pelos direitos reprodutivos e garantir sua participação nos espaços de Poder.Nós do SINASEFE tivemos duas grandes lutas em 2025: 1) contra a Reforma Administrativa (PEC 38/2025) e 2) pelo cumprimento dos Acordos da Greve de 2024. A PEC 38/2025 tem exigido unidade dos servidores públicos para barrá-la. Ações coordenadas, pressão sobre os parlamentares e mobilização das categorias resultaram, pelo menos por ora, impedir que a matéria vá ao Plenário da Câmara. Além disso, nós da Educação Federal buscamos durante todo o ano cobrar o cumprimento dos Termos de Acordo nº 10/2024 e nº 11/2024, com diversos pontos ainda pendentes e que estão sendo negligenciados pelo Governo. Ainda em dezembro, o PL 6170/2025 surpreendeu a categoria ao deformar a minuta do Reconhecimento de Saberes e Competências para os Técnico-Administrativos em Educação (RSC-TAE) que havia sido construída pela Comissão Nacional de Supervisão da Carreira (CNSC) ao longo do ano e que deveria beneficiar os servidores do PCCTAE. Seguiremos na defesa das pautas caras para nossa categoria, combatendo as posturas patronais que a penalizam, inclusive construindo uma greve pela base caso esta avalie que é o momento certo – construção que não deixará sequer um instante de avaliar a conjuntura como um todo, desde a mobilização e unidade pela base até nossa responsabilidade classista diante do avanço fascista sobre a classe trabalhadora preparado para 2026.Além de diversas Plenárias híbridas, o SINASEFE realizou diversas Reuniões Ampliadas; cinco Encontros Regionais; cinco Encontros Regionais de Mulheres; o 1º Encontro da Diversidade Sexual e de Gênero; um GT de Políticas Educacionais e Culturais; o 3º Encontro de Negros, Negras, Indígenas e Quilombolas (ENNIQ); e o 15º Encontro Nacional de Assuntos de Aposentadoria e Seguridade Social (ENAASS). Esses eventos foram momentos importantes de formação política, fortalecimento de laços de comunidade e construção de planos de ação que vêm balizando nossas práticas. Por fim, o sindicato realizou o 37º CONSINASEFE entre os dias 11 e 14 de dezembro, cujo plano de lutas inclui um indicativo de greve a ser deliberado pela categoria em Plenária Nacional (no dia 28 de fevereiro de 2026), após assembleias das seções encaminharem, pela base, a avaliação de conjuntura. No dia 17 de dezembro, foi realizada uma Reunião Ampliada para tirar dúvidas e traçar ações para a mobilização da categoria. As seções sindicais foram orientadas a utilizarem momentos de confraternização para sensibilizar sobre a mobilização pelo cumprimento dos Acordos da Greve 2024 e contra a Reforma Administrativa (PEC 38/2025); pressionar parlamentares pelo cumprimento dos Termos de Acordo nº 10/2024 e nº 11/2024; e organizar a categoria para o ato em frente ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) no dia 19 de janeiro de 2026, levando a base a Brasília-DF.No âmbito educacional, tivemos avanços e retrocessos que merecem ser recapitulados. A discussão acerca do Plano Nacional de Educação (PNE), que ainda não foi concluída, mostrou a eficiência do neoliberalismo educacional entranhado na construção das políticas educacionais, favorecendo o empresariado e negligenciando as demandas urgentes da Educação Pública. O SINASEFE, junto à seção IFSP-SP, conseguiu construir uma intervenção pela defesa do Ensino Médio Integrado (EMI) junto à Comissão que debate o PNE, garantindo uma meta mínima. Ao mesmo tempo, a continuidade do Arcabouço Fiscal (LCP 200/2023) tem sufocado os orçamentos das nossas Instituições Federais de Ensino (IFEs) e forçado os reitores a buscar emendas parlamentares para manter a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica funcionando. A recomposição do orçamento, que também foi pauta da nossa Greve de 2024, ainda está longe de ser alcançada e precisa se tornar uma discussão prioritária no próximo período, especialmente considerando o ano eleitoral de 2026.Entretanto, não podemos desprezar as vitórias alcançadas nesse período. A aprovação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha menos de R$ 5 mil (Lei 15270/2025), com taxação dos supericos; a atualização da Política de Cotas (Lei 15142/2025); a redução da taxa de desemprego e da inflação no país; e a prisão de Jair Bolsonaro e outros golpistas; representam ganhos significativos para o povo brasileiro e para democracia – conquistas que ainda estão em disputa social e política, como mostra o avanço da “dosimetria”, e que precisam de soluções estruturais (sobretudo a partir de 2027) para romper com o Arcabouço Fiscal, com o avanço dos privilégios de sempre e o momento defensivo da luta de classes, avançando com um projeto emancipador socialmente referenciado e inclusivo, baseado na universalização efetiva de direitos, dentre os quais, como diria, Paulo Freire, está a educação libertadora pela qual lutamos e sem a qual a sociedade não se transforma.