O avanço da inteligência artificial tem ampliado um novo tipo de risco à saúde pública: vídeos falsos que usam a imagem e a voz de médicos, celebridades e apresentadores para divulgar supostas curas milagrosas, vender suplementos e estimular a substituição de tratamentos médicos por receitas sem comprovação científica. Casos recentes envolvendo nomes conhecidos, como o médico Hélio Brasileiro, o Dr. Drauzio Varella, o apresentador Ratinho e o jornalista Nélson Araújo, mostram como deepfakes estão sendo usados para gerar confiança no público, especialmente entre idosos.No caso do clínico geral Hélio Brasileiro, de Sorocaba, vídeos falsos passaram a circular com sua imagem vestindo jaleco e dando supostos conselhos médicos. Entre os conteúdos estão promessas de cura para diabetes, Alzheimer e doenças cardiovasculares, além de alertas alarmistas sobre banho quente e orientações perigosas como substituir remédios para hipertensão por suco de maracujá.Para a médica geriatra Dra. Márcia Umbelino, esse tipo de conteúdo pode ter consequências graves.“Quando um idoso abandona um medicamento para hipertensão, diabetes ou outra doença crônica porque viu um vídeo na internet, ele pode estar colocando a própria vida em risco. Nenhum suco, chá, suplemento ou receita caseira substitui um tratamento prescrito por um médico”, alerta.A médica explica que muitos vídeos utilizam medo, urgência e linguagem emocional para convencer o público.“Esses conteúdos costumam dizer que existe algo que os médicos não querem revelar ou que determinado remédio está fazendo mal. Essa estratégia cria desconfiança no tratamento e pode levar o paciente a tomar decisões perigosas sem orientação profissional”, afirma.